• Cláudia Vidigal

Você sabe dizer não? Você tem dificuldade para se impor e colocar limites aos outros?


A dificuldade em dizer não e de colocar limites às demandas das outras pessoas é outra queixa bastante comum entre aqueles que chegam em meu consultório.

Tal dificuldade é responsável por intenso sofrimento uma vez que as pessoas que a apresentam, frequentemente, deixam de realizar os próprios compromissos e desejos para dar conta dos compromissos e desejos dos outros.

Fazem isso de modo inconsciente e de forma repetitiva, o que provoca prejuízos em suas vidas pessoais e profissionais. Na maior parte das vezes decidem procurar ajuda quando já estão exaustas e apresentando sintomas como humor deprimido, irritabilidade, agressividade, dificuldades de concentração e esquecimentos.

São pessoas que tendem a apresentar como forte característica a sensibilidade e a preocupação para com o próximo. E uma vez que se propõem a dar conta dos problemas dos outros, acabam sendo alvos de procuras constantes para ajudar e ou resolver um problema alheio, como, por exemplo, emprestar dinheiro. A pessoa que tem dificuldade para dizer não, irá emprestar mesmo que ela não possua condições financeiras para isso e se prejudicará em função de não conseguir dizer não para o outro.

Mas, daí você me pergunta: mas não devemos fazer sacríficos para ajudar ao próximo? Essa é o tipo de pergunta que indica exatamente a confusão existente nos pensamentos dessas pessoas: elas pensam que se disserem ¬não¬ estarão sendo egoístas e pouco benevolentes para com os outros, e para evitarem ao máximo esse sentimento de culpa, acabam consentindo aos frequentes pedidos alheios.

É verdade, sentimos a necessidade e precisamos mesmo fazer alguns sacríficos para ajudar as pessoas que mais precisam e que mais amamos. A empatia, a compaixão e a preocupação para com o próximo são atitudes muito saudáveis e louváveis e, infelizmente, cada vez mais raras hoje em dia. Tão raras que pesquisas têm sido desenvolvidas para que tais atitudes sejam treinadas e desenvolvidas (para saber mais a respeito, clique aqui). Mas elas deixam de ser saudáveis e passam a se tornar um problema se estiverem prejudicando e levando ao sofrimento.

Nesses casos, percebo, na maior parte das vezes que o que está na raiz de tal problema é a necessidade de agradar aos outros e a dificuldade de tais pessoas em lidarem com o mal-estar que surgirá após dizerem “não”. Para não terem que lidar com as consequências negativas que podem surgir após o “não”, como a possibilidade de terem que se deparar com caras e comentários descontentes dos outros e até mesmo distanciamentos e/ou rompimentos, elas acabam se prejudicando e se machucando. Eis uma dificuldade em sustentar o mal estar. Porém, tal funcionamento tem um preço muito caro, que é a sua saúde (mental e física).

Ajudar a pessoa a perceber tal funcionamento nocivo e as suas causas, por meio de escuta clínica atenta e acolhedora e intervenções são os objetivos iniciais do trabalho do psicólogo que, após conquistados, proporcionarão mudanças nas respostas dessas pessoas frente às demandas dos outros, contribuindo para que identifiquem os próprios limites e ajudem ao próximo sem se prejudicar e sabendo sustentar o dizer “gostaria muito de te ajudar, mas infelizmente eu não posso”.


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