• Cláudia Vidigal

Reações psicológicas durante a pandemia decorrente da COVID-19



A partir do momento em que uma pandemia é decretada, os três primeiros meses são considerados cruciais no que se refere à saúde psicossocial.


Considerando que, no Brasil, a pandemia foi decretada em março pela OMS, ainda nos encontramos em sua fase aguda. O que significa que as pessoas estão ainda apresentando as reações iniciais frente ao fato, que podem envolver:


- Medos: de adoecer, de morrer, de perder o emprego, de sofrer estigmas e exclusão, de transmitir ou ser contaminado pelo vírus;

- Sentimentos de impotência, irritabilidade, angústia e tristeza;

- Alterações no sono (dormir mais do que o costume ou dormir menos, acordar repentinamente durante o sono, dificuldade para pegar no sono);

- Alterações alimentares: ficar sem comer ou comer demais, adesão a dietas pouco saudáveis;

- Afastamento familiar (principalmente profissionais da saúde que trabalham na linha de frente);

- Conflitos interpessoais (com equipe de trabalho e familiares);

- Desenvolvimento e/ou agravamento de abuso de álcool e substâncias psicoativas;


Importante mencionar que tais reações são esperadas diante do impacto provocado pelo cenário pandêmico e dizem respeito a um momento de adaptação a nova situação.


Entretanto, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre um terço a metade de uma população exposta a uma epidemia tem potencial para desenvolver manifestações psicológicas e psiquiátricas mais graves se nenhuma intervenção for realizada para tais reações e sintomas manifestados.


Daí a suma importância de estratégias de cuidado serem pensadas e oferecidas por profissionais da saúde, além da população ser informada sobre as reações psicológicas mais comuns e esperadas para a situação, e munida com informações científicas, principalmente sobre protocolos de biossegurança.


Tal movimento é fundamental pois, além de combater contra as fake news e o desconhecimento da população, tem direção preventiva uma vez que, caso contrário, as reações psicológicas esperadas podem se agravar e contribuir para a possibilidade de desenvolvimento de quadros mais graves, como o Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT), o luto patológico e transtornos psicossomáticos.


Para determinar se uma reação psicossocial esperada está se tornando psicopatológica é importante ficar atento com relação a:


- severidade do quadro;

- persistência dos sintomas;

- risco de suicídio e ou tentativas de suicídio anteriores;

- problemas prévios de alcoolismo e/ou outras dependências;

- diagnósticos anteriores de depressão maior, psicose e TEPT;

- vivência de violência na vida familiar, amorosa e social;


Se você identificar que as suas reações psicossociais estão se agravando, busque o quanto antes a ajuda de um profissional de saúde mental e atenção psicossocial, como psicólogos, psiquiatras ou assistentes sociais. Diversos profissionais estão a postos para ajuda-lo.


Referencias:


- Curso Nacional de Saúde Mental e Atenção Psicossocial na COVID-19 da FIOCRUZ (2020);

- Cartilha "Saúde mental e atenção psicossocial na pandemia COVID-19 - Recomendações gerais" da FIOCRUZ, 2020.







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