• Cláudia Vidigal

O sofrimento emocional do profissional da saúde: a importância da "segurança psicológica"


Em minha atuação em instituições de saúde, tenho percebido que há ainda muita resistência por parte dos profissionais da saúde a procurarem ajuda para tratarem de suas questões emocionais, em razão de enfrentarem ainda ambientes hostis com relação às questões emocionais.

Além de vivenciarem, diariamente, situações estressoras e de muito sofrimento bem como ambientes inóspitos e limitações do sistema de saúde (aspectos característicos próprios do trabalho de assistência a pessoas adoecidas), ainda precisam manejar as questões emocionais que podem surgir do contato com os pacientes (e seus familiares) e das interferências de aspectos concernentes a vida pessoal no exercício profissional.

O sofrimento subjetivo desses profissionais demanda a construção de espaços institucionais que proporcionem a eles oportunidades de investigar as causas dos impactos nocivos em suas subjetividades e de tratamento das consequências de ser um profissional da saúde, contribuindo para que eles possam, por sua vez, cuidar dos pacientes com o mínimo de interferências de aspectos subjetivos nas responsabilidades profissionais.

No entanto, o que se constata é que, infelizmente, o sofrimento subjetivo do profissional da saúde acaba ficando em segundo plano uma vez que ainda é negligenciado pelas instituições, pelos colegas e até mesmo pelo próprio profissional. Ou é considerado, mas pela via do preconceito e da hostilidade.

Evitar que os profissionais da saúde vivenciem o sofrimento, não é possível. Mas é possível e extremamente importante que o sofrimento desses profissionais passe a ser considerado e enfrentado para, depois, ser tratado e amenizado. Caso contrário, a qualidade de vida dos profissionais da saúde pode ser intensamente prejudicada, a profissão pode deixar de ser exercida de forma saudável e com qualidade, culminando na ocorrência de absenteísmos e afastamentos e pode haver atuação de aspectos de suas subjetividades, como por exemplo, a despersonalização que diz respeito ao distanciamento emocional que o profissional se utiliza para se defender dos aspectos subjetivos dos pacientes, levando-os a desenvolver atitudes e comportamentos defensivos, como a agressividade, egoísmo e cinismo para com os pacientes e colegas de trabalho.

Ser um profissional de saúde e não vivenciar experiências de sofrimento é impossível. Mas é possível, sim, ser um profissional de saúde e não adoecer psicologicamente, desde que haja espaço seguro para o profissional considerar o seu sofrimento e buscar por ajuda, sem receio de sofrer bullying e/ou retaliações por parte dos colegas. A enfermeira e pesquisadora norte-americana Suzanne Gordon tem alertado para a importância do estabelecimento do conceito de “segurança psicológica” e do combate à hierarquia tóxica nas instituições.


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