• Cláudia Vidigal

Assédio Moral no trabalho: agressões sutis




Outra queixa bastante comum que recebo no consultório é referente a pessoas que sofreram assédio moral no trabalho e que chegam profundamente fragilizadas emocionalmente, apresentando quadros graves de depressão, ansiedade e distúrbios psicossomáticos.

Em geral, tais pessoas buscam ajuda apenas quando já estão vivenciando danos psicológicos severos e ou já tenham sido afastadas do trabalho. Infelizmente, raramente há busca por ajuda no início do assédio moral uma vez que ainda existe desconhecimento por parte dos trabalhadores a respeito do fenômeno, de quais situações o definem, a respeito dos seus direitos trabalhistas, além do medo pela perda do emprego.

Mas, afinal, o que é o assédio moral?

Inicialmente estudado pelo psicólogo alemão Heinz Leymann, o assédio moral ocorre quando a “vítima é submetida a uma estigmatização sistemática através de, principalmente, injustiças. Assim, o assédio moral significa uma comunicação hostil e antiética dirigida de forma sistemática em direção a, principalmente, uma pessoa. Estas ações ocorrem muitas vezes (quase todos os dias) e durante um longo período e, por causa dessa frequência e duração, resultam em danos psíquicos, psicossomáticos e sociais. Os responsáveis por imputar este destino trágico podem ser os colegas de trabalho ou a própria gestão da organização” (Oliveira et al., 2017).

Além do termo “assédio moral no trabalho”, existem diversas nomeações na literatura nacional e internacional, como “mobbing” (Países Nórdicos e Inglaterra), “bullying” (Austrália e EUA) e “harassment” (Austrália e EUA). Também é possível encontrar os termos “violência psicológica ou violência moral” (Brasil), “psicoterror laboral, acoso moral ou acoso laboral” (Espanha), “harcèlement moral” (França) e “ijime” (Japão) (Oliveira et al., 2017).

O assédio moral é altamente nocivo para o trabalhador, para a organização e para a sociedade.

Para a vítima, as consequências acarretam prejuízos sociais (isolamento, estigmatização, desemprego voluntário e desajuste social), psicossociais (perda de recursos de enfrentamento), psicológicos, psicossomáticos e psiquiátricos (sentimentos de desespero e desamparo total, sentimento de raiva, ansiedade, desânimo, depressão, síndrome do pânico, irritabilidade hiperatividade, hipertensão, dores de cabeça, distúrbios digestivos, compulsão, doenças psicossomáticas, tentativas de suicídios e/ou suicídios). (Oliveira et al., 2017).

Para as organizações, as consequências do assédio moral incluem os custos do absenteísmo, alta rotatividade, menor produtividade e desempenho, procedimentos de queixa e perda de reputação no mercado. Além de aumento dos custos com treinamento, precarização do ambiente e relações de trabalho, redução da motivação e da satisfação dos funcionários, desgaste na imagem da empresa e diminuição de sua competitividade (Oliveira et al., 2017).

Para a sociedade, algumas consequências incluem custos com tratamento médico e reabilitação, despesas com benefícios sociais (dependência de auxilio doença e aposentadoria precoce) e custos dos processos administrativos e judiciais (Tolfo & Oliveira, 2013).

Se você sente que está sendo alvo de assédio moral em seu trabalho, não tenha medo! Busque por ajuda e lute pelos seus direitos! Você pode fazer isso buscando por apoio de colegas, amigos e familiares, por meio dos canais de comunicação da sua empresa ou procurar por assistência psicológica ou jurídica de um profissional de sua confiança. Saiba também que a empresa é responsável politicamente pela ocorrência do assédio moral e deve oferecer canais de comunicação, bem como mediação.

Se você é funcionário de uma empresa e está sendo testemunha da ocorrência de assédio moral com um colega, ofereça a ele a sua ajuda e incentive-o a buscar orientação.

Para mais informações a respeito do assédio moral, consulte aqui a cartilha Assédio moral no trabalho: uma violência a ser enfrentada”.


Referências:

Assédio moral no trabalho: uma violência a ser enfrentada / coordenação: Suzana da Rosa Tolfo, Renato Toccheto de Oliveira. Florianópolis: UFSC, 2013. 23 p. : il.

Assédio moral no trabalho: fundamentos e ações / organizadores Renato Tocchetto de Oliveira ... [et al.].– Florianópolis, SC: Lagoa, 2017.


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