• Cláudia Vidigal

A atenção com a infância

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Em minha experiência no atendimento de crianças, uma das queixas que surgem é o atraso na linguagem e/ou no desenvolvimento.

Na maior parte das vezes, ao constatarem algo “diferente” ou que não esteja dentro do esperado para a faixa etária, os pais são alertados e orientados pelas escolas a procurarem avaliação psicológica ou de outro especialista para seus filhos.

Que bom que as escolas estão atentas e se apresentam preocupadas em identificar, cada vez mais cedo, qualquer sinal que necessite de intervenção especializada. No entanto, atualmente há uma forte expectativa de que as nossas crianças falem cada vez mais cedo e se, aos 3 anos de idade, ela não está falando muito, já se levanta a hipótese de que possam ser “autistas”.

Apesar de haver um certo consenso no que é esperado em termos de desenvolvimento para cada faixa etária, é preciso lembrar que cada criança é única, possui a sua própria singularidade, além de receber estímulos e viver em ambientes diferentes.

Se uma criança aos 3 ou 4 anos de idade ainda não está falando e/ou ainda se utiliza da agressividade para expressar sentimentos como tristeza, frustração, não necessariamente significa que ela esteja incluída no Transtorno do Espectro Autista (TEA)!!!!!!!!!!

Coitadas das nossas crianças atuais, cada vez mais cobradas a se apresentarem perfeitas!!!! Não podem mais ter o próprio tempo de desenvolvimento, precisam atender ao tempo do outro e cada vez mais cedo!!!!

Não me admira que tem sido cada vez mais frequente o número de diagnósticos de TEA.

Se o seu filho de 3 ou 4 anos ainda não está falando ou está apresentando algum sinal ou dificuldade que tem lhe chamado a atenção ou a atenção de outro profissional, você deve, sim, buscar por ajuda especializada para ajudá-lo a se desenvolver mais e investigar se os sinais e/ou dificuldades que ele esteja apresentando necessitam de tratamento específico mas isso não significa que ele tenha, necessariamente, TEA.

Atualmente denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA) pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), os sinais de autismo englobam prejuízos na comunicação (relação com a linguagem), na interação social (relação com o outro) e comportamentos repetitivos ou interesses restritos (relação com os objetos).

Existem diferentes hipóteses e diversas linhas de investigação para o autismo. Apesar disso, é consenso de que mais importante que o diagnóstico, é identificar as dificuldades da criança e realizar intervenções focando no seu desenvolvimento.

O mais importante é prestar atenção no ser da criança. No que ela realiza e no que ela tem dificuldade de realizar. É preciso perceber a criança e apostar nela. Enfatizar as suas habilidades e ajuda-la nas suas dificuldades.

Mais importante que dar um diagnóstico, é perceber a criança na sua singularidade e identificar o que ela necessita para se desenvolver.

Também tem sido cada vez mais frequente, a exigência de um laudo por parte de algumas escolas que se dizem “muito preocupadas” com a inclusão escolar. Ou de que precisaria de um laudo para pensar as intervenções pedagógicas mais adequadas.

Isso não é verdade! As escolas não necessitam de laudo psicológico ou parecer médico para pensar estratégias e intervenções pedagógicas adequadas a seu filho!!! Inclusão sem laudo é um direito da criança!!! (saiba mais aqui)

Se você sente que a escola de seu filho está exigindo um laudo para pensar projeto pedagógico, busque a opinião de um especialista de sua confiança e saiba desde já que essa exigência restringe o direito universal da criança de acesso à escola!!!!!

(Veja o que o Ministério da Educação diz a respeito do assunto)

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