• Cláudia Vidigal

A adolescência e seu futuro: qual o papel dos pais nesta relação?


A chegada de um adolescente ao consultório de psicologia pode ocorrer após a manifestação de sintomas como: isolamento, desânimo, irritabilidade, descontroles, introspecção, ferimentos e alterações no sono e na alimentação.

Essas manifestações sintomáticas, na maior parte das vezes, funcionam como pedidos camuflados de ajuda e/ou podem ser “efeitos” de mecanismos de defesa usados no enfrentamento de um intenso sofrimento.

A somatória desses sintomas com o sentimento de impotência vivenciado pelos pais acabam sendo o ponto de partida para a procura de ajuda profissional.

Tem sido frequente escutar dos adolescentes queixas em relação a seus pais no que se refere a um principal ponto: a dificuldade de serem percebidos em sua singularidade.

Alguns pais, mais rígidos e exigentes, embora bem intencionados, estão muito preocupados em exigir dos filhos o desempenho escolar excepcional, o cumprimento de tarefas diárias e rotinas exaustivas para, assim, garantirem um “futuro de sucesso” para seus filhos, mas infelizmente esquecem de levar em conta a individualidade e a saúde emocional de seus adolescentes.

Como profissional, tenho percebido que, muitas vezes, o que está contribuindo para tal dificuldade são os julgamentos, preconceitos e intolerância por parte de alguns pais em relação ao que é “diferente” manifestado pelo filho adolescente. Tais convicções podem gerar um sentimento de impotência que, por sua vez, pode desencadear reações de agressividade e de incompreensão, frente às manifestações sintomáticas do adolescente.

Acredito que muitos conflitos internos e externos podem ser a causa de angústias, descontroles emocionais, agressividade e de tantos outros sintomas durante a adolescência, mas o de maior relevância e de queixa frequente em meu consultório é, sem dúvida, o referente à imposição e à intransigência de muitos pais, contribuindo para o agravamento dos sintomas e para o isolamento cada vez maior do adolescente.

Diante de tal quadro, na busca de alcançar os ideais dos pais, os adolescentes podem demonstrar intensa fragilidade e vivenciar uma intensa angústia. Por fim, podem acabar desenvolvendo sintomas, os quais trazem à tona tal conflito.

Frente a um caso que evidencie tais pontos, é fundamental que, além de tratamento psicológico individual ao adolescente, seja sugerido aos pais espaço individual para tratamento de tais questões. Além disso, é de suma importância alerta-los no sentido de insistirem no oferecimento de espaço de acolhimento a seus filhos adolescentes de forma mais consciente e sem atropelos e/ou imposições.

É preciso respeitar e acolher as diferenças, ouvir com calma o adolescente, descobrir diferentes formas de comunicação e interação com seu filho e sempre que necessário, buscar ajuda de um profissional especializado.

Lembre-se que o diálogo (escutar e falar) é sempre a melhor maneira de tratar conflitos, e quando falamos de adolescente, uma boa dose de paciência e amor ajudam a estabelecer uma relação mais saudável e de confiança.


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